Mostrando postagens com marcador ARTIGOS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ARTIGOS. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 16 de junho de 2015

Como fazer uma revisão bibliográfica

A revisão bibliográfica é a base que sustenta qualquer pesquisa científica. Acredite: algumas horas a mais na biblioteca podem poupar alguns meses de trabalho no laboratório ou a campo. Para conseguir avançar em determinado campo do conhecimento é preciso primeiro conhecer o que já foi desenvolvido por outros pesquisadores.

Realizar uma pesquisa bibliográfica faz parte do cotidiano de todos os estudantes e pesquisadores. É uma das tarefas que mais impulsionam nosso aprendizado e amadurecimento na área de estudo. Atualmente, as bibliotecas digitais têm facilitado e simplificado muito essa tarefa, pois trazem recursos de busca e cruzamento de informações que facilitam a vida de todos.

Mas as novas tecnologias não resolvem tudo. Por isso, preparamos este guia com algumas considerações importantes sobre as revisões de literatura.

1. Saiba aonde quer chegar
Todo texto acadêmico precisa de um “fio condutor”, uma linha de raciocínio que guie a leitura do texto, levando o leitor das premissas às conclusões. Assim, antes de começar a revisão de literatura, leia os chamados “livros clássicos” sobre o tema, para descobrir/relembrar os conceitos e as ideias principais relacionados ao seu trabalho.

Com uma visão geral sobre o tema, e com os pontos principais em mente, é possível elaborar um roteiro para a revisão de literatura, com os itens e subitens que o texto deverá ter para chegar à sua conclusão. Este roteiro é de grande ajuda para manter o foco e não se perder em meio à enorme quantidade de informações a que temos acesso.

O segredo de uma boa revisão de literatura é a organização e o planejamento.

2. Selecione as fontes de referência
As principais fontes a serem consultadas para a elaboração da revisão de literatura são artigos em periódicos científicos, livros, teses, dissertações e resumos em congresso.

Como atualmente existe uma exacerbada pressão por publicação de artigos científicos, é bem provável que aquela tese ou dissertação tenha sido publicada também na forma de artigo, assim como os resumos de congressos.

Desta forma, recomenda-se a preferência por artigos publicados em periódicos científicos, com comitê de editores e processo de revisão por pares. Uma boa dica é observar com cuidado as referências bibliográficas de textos já publicados sobre o tema e, desta forma, identificar os autores e os periódicos que são referência na área.

Dê prioridade (nesta ordem) a:

(i) artigos publicados em periódicos internacionais;
(ii) artigos publicados em periódicos nacionais reconhecidos;
(iii) livros publicados por bons editores;
(iv) teses e dissertações,
(v) anais de conferências internacionais;
(vi) anais de conferências nacionais.

Tome cuidado com referências antigas. A ciência traz novidades em um ritmo relativamente rápido, por isso deve-se evitar utilizar referências com mais de dez anos. Se possível, e isso irá depender do tema pesquisado, tente concentrar a maior parte das citações com menos de cinco anos.

3. Escreva de forma clara e objetiva
Evite apresentar a revisão da literatura no formato de ficha de leitura (isto é, o autor “A” disse isso, o autor “B” disse aquilo, o autor “C” disse outra coisa, etc.). Encontre os pontos de concordância e divergência entre os autores e conte a história da pesquisa. Um exemplo de texto do tipo “ficha-de-leitura” é:

Segundo Shingo (1996), a idéia central do Sistema Toyota de Produção é promover um fluxo harmônico dos materiais entre os postos de trabalho, produzindo componentes nas quantidades e nos momentos em que são necessários. Para tanto, a comunicação entre postos de trabalho deve ser promovida de forma eficiente.

Para Ohno (1994), o Sistema Toyota de Produção pode ser resumido como “produzir nas quantidades certas e no momento em que as partes são necessárias”. O autor frisa a importância do fluxo de informações entre os trabalhadores nas diferentes células ou postos de trabalho.

Observe como os dois autores estão dizendo essencialmente a mesma coisa, apesar de manifestarem suas ideias de maneira diferente. O seu trabalho como pesquisador é compreender qual a ideia central, identificar os pontos divergentes e pontos em comum entre os autores e escrever de forma clara e objetiva. Os parágrafos acima poderiam ser resumidos da seguinte forma:

A ideia central do Sistema Toyota de Produção é promover um fluxo harmônico de materiais entre os postos de trabalho, produzindo componentes nas quantidades e nos momentos em que são necessários. Neste sentido é importante promover um fluxo eficiente de informações entre trabalhadores nas diferentes células ou postos de trabalho (SHINGO, 1996; OHNO, 1994).

Veja como o texto fica mais fácil de ler, contendo as ideias comuns a ambos os autores expostas de maneira direta, sem repetições. Além disso, os parágrafos não iniciam com “Segundo Ohno (1994)” ou “Para Shingo (1996)”, ou “De acordo com Shingo (1996)”, que são formas não muito elegantes de redação.

4. Organize os trabalhos consultados
Para a elaboração de uma boa revisão de literatura é preciso pesquisar, selecionar e ler uma grande quantidade de artigos, livros e resumos. E uma boa organização deste material irá facilitar encontrar determinada ideia ou um autor específico em meio aquela salada de PDFs.

Existem várias ferramentas que permitem gerenciar sua coleção de referências bibliográficas e que podem facilitar seu trabalho. São os Gerenciadores de Referências. Exemplos importantes são o JabRef, ferramenta em código aberto e muito útil especialmente para quem trabalha com LaTex, e o EndNote.

Essas ferramentas permitem obter os dados das referências diretamente nas bibliotecas digitais, criam uma base de dados com essas informações, permitem inserir as citações e referências diretamente nos textos que estão sendo editados, e também organizam a coleção de textos originais dos artigos. A longo prazo, sua base de dados mantida por um gerenciador de referências é um recurso muito valioso para procurar referências para citar em seus textos.

5. Evite os principais erros
Errar é humano, mas a banca avaliadora do seu trabalho normalmente desconsidera este tipo de fato. Sendo assim, consulte sempre o seu orientador sobre a possibilidade de estar cometendo algum dos erros abaixo:

>> Revisão muito breve (por pressa, falta de tempo, desinteresse, etc.); obras e autores essenciais não foram incluídos no trabalho.

>> Revisão construída em cima de muito poucos autores ou estudos. Normalmente, este erro ocorre em paralelo com o primeiro erro, acima.

>> Áreas afins não foram abordadas.

>> Referências incompletas ou erradas, indicando que você na realidade não conseguiu encontrar um fio condutor nas obras que consultou.

>> Ausência de uma seção de conclusões que reúna as ideias principais abordadas no texto.

>> Má organização do material: revisão com seções muito curtas (com um ou dois parágrafos, apenas), com repetição de ideias (o estilo “ficha-de-leitura”), ou sem uma estrutura ou lógica identificável de apresentação.

>> Interpretação ou adaptação de ideias de outros autores para que elas fiquem parecidas ou reforcem as suas.

_________________________________________________________________________

Texto adaptado por José Luis Duarte Ribeiro a partir do original elaborado por Flavio Fogliatto e Giovani da Silveira.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Por que ocorrem trocas de autorias? O porquê de tantos textos apócrifos, em algumas hipóteses:

• Para divulgar “trabalhos novos e nomes novos” se misturando a de um nome conhecido, aumentando um número de leituras e divulgando erroneamente um mal repasse via e-mail sem pesquisa prévia;
• Para tentar/experimentar “queimar” a verdadeira identidade/imagem de um autor;

• Por má fé, “brincadeira”, falta de ética e/ou CONSCIENTIZAÇÃO;

• Por motivos pessoais, políticos, sociais e religiosos... misturando o conteúdo, com a imagem relativamente criada do autor pelos seus escritos;

• Por ingenuidade pensando que a Verdade não irá um dia vir a tona;

• Para chamar atenção... favorecendo propagandas... promovendo novos livros sobre o assunto (?)

• Para estimular os trabalhos sem registro, (podendo trazer desânimo aos iniciantes);

• Para fortalecer um padrão irreal;

• ...Por não saber como e onde pesquisar (?) denotando falta de contato com as verdadeiras letras do autor.

• Por “achismo”, preguiça, alheamento, entre outros... falta de contato com os sentimentos reais que envolvem o repasse de erratas quando se sabe o nome verdadeiro de um autor ...falta de tempo (?) ...e se o texto fosse seu ou de um conhecido seu...?

• Será que todas às vezes que um autor principiante lê o tal texto repassado com a assinatura de um autor ilustre fortalece o ego através dele...?

• Por desconhecimento da amplitude das obras verdadeiras, onde poderá parar tal situação (?);

• Falta de costume em PESQUISAR em livros, bibliotecas, sebos, museus e blog(ue)s oficiais nacionais e estrangeiros: Letras & Arte.

*

Não se pode ter o controle de tudo mas será que casos assim não ocorrem: PARA QUE APRENDAMOS A SEPARAR O JOIO DO TRIGO. 

• Para que e por que persistir no repasse de informações "truncadas (incompletas)" caso se tenha encontrado o texto original e/ou o verdadeiro autor? Se for desconhecido, até então (por que não especificar?), o que vale a pena não é buscar o mais próximo da verdade!?!

Reflita: Se ocorresse algo semelhante com um texto escrito por você... e/um amigo não seria de interesse repassar uma ERRATA???

*

Lembrando que:

• Textos "enxertados" são mentirosos, no fundo... a idéia original não partiu de quem o transcreveu e/ou o modificou... caracterizando a falta de originalidade;

• Textos sem referenciais bibliográficos, que contém excertos sem estar entre aspas bem como a ausência de citação de fonte fidedigna demonstram falta de trato com a intertextualidade e pesquisa;

• Quem na vida nunca leu um provérbio/um dito popular de autoria anônima e este foi valorizado em uma determinada situação? Negar um determinado escrito poderia podar a criatividade de um iniciante? Já pensou que alguns autores hoje reconhecidos começaram escrever com pseudônimos??? Já abriu algum livro de mensagens e leu... "Anônimo"?

• É melhor refletir sobre uma boa frase "Anônima" do que uma frase plagiada? O reconhecimento de uma biografia e/ou bibliografia real não levaria a distinção de um possível plágio...?

• Em caso de repasse de frases, por que não trocar a frase de origem desconhecida ou duvidosa por frases verdadeiras de um autor? Apontar um "engano" às vezes pode ser mais trabalhoso, mas será que não conscientiza mais...?

...Para Reflexão:


Com foi dito acima batismo de nomes conhecidos ilustram bem:

Ausência de informação, por desconhecimento e falta de costume de pesquisar; ironia p/ com determinado autor; tentativa de reforçar o reconhecimento de uma falsa voz (muitas vezes as pessoas inserem um texto falso c/ determinado nome e não "repassam ou blogam" um texto verdadeiro).

...e sobretudo "o pior" quando há falta de contato c/ a flexibilidade ...caso a pessoa tome conhecimento
que um texto não é de um determinado autor e continue repassando da modo incorreto (só porque os amigos "blogaram"
ou lhe foi repassado assim), "bordando" um atestado de: delírio, negação, preguiça e/ou ignorância.

Quanto mais repasses incorretos maior a confusão, ...quanto maior a confusão, maior abertura para fazer da "net" uma terra sem lei, quanto mais "terra sem lei" maior a o reforço para camuflar os erros e assim se reforça a cegueira e a falta de construção de pessoas pensantes. (Ex: Se um jornalista famoso pode escrever isto ou aquilo o nível de
questionamento ao invés de crescer... decresce).

.................

Quantos textos de Távola, Martha Medeiros, Luis Fernando Verissimo, Caio Fernando Abreu, Fernando Pessoa, Mario Quintana, Clarice Lispector, Pablo Neruda, Freud, Einstein, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Mario Benedetti, Gabriel García Marquez etc não tem sido mal repassados (e até "enxertados...") indo daqui para mais diante? (traduzidos para outros idiomas) e saindo da net para o mundo real?

Imagine só ... tudo pode ocorrer “via net” um amigo enviou para outro mural (um “scrap”) de um de seus escritos, assinou... (e este, estava registrado, no EDA), depois de “½ horinha” recebeu seu próprio escrito de um anônimo s/ a assinatura, dele.

Resultado: “caiu matando” em não se sabe bem quem, (c/ este direito...) no entanto considerando a hipótese acima: se as pessoas não tiverem percepção dos repasses deletando todos... possíveis “ADs” quem garante que não estariam deletando trabalho de escritores que não foram bem repassados?

Será que as pessoas conseguem enganar sempre? “Quem ama cuida“.

O que garante as trocas são os registros dos próprios escritos, como prova. Publicações em s(a)ites oficiais, artigos, entrevistas e livros. 

Cuidado com textos "badalados" que foram "blogados" recentemente sem registro. Desconfie até do wikipedia, principalmente quando não constar referencial bibliográfico: verifique outras publicações do "possível autor".

*

Será que todas as pessoas que se dizem ligadas a movimentos de Arte, estão tendo a preocupação na utilização do tempo vago, p/ alertar uma as outras sobre um poema e/ou texto recebido em seu mural ou cx de e-mail que nem sempre é do referido autor?

Não seria interessante alertar os amigos sobre um mau repasse? Ao se receber um texto apócrifo, quantos alertam o “equívoco”?

Quando observamos em um mural um texto que não é de um autor, no mínimo podemos questionar se a pessoa que o recebeu tem contato c/ livros, e de modo geral não é bom manter um texto que não é mesmo de um autor em seu espaço pois denota a ausência das verdadeiras letras p/ com este assim como propaga a má divulgação.

Se o texto de AD (autor desconhecido) foi considerado por alguém é que p/ ele teve algum ganho secundário c/ este repasse, ou significado pessoal (nem sempre poderá ser visto como de má fé porque daí tudo descambaria p/ a persecutoriedade), tem gente que não tem ainda noção do que está repassando ("acha bonito, divertido etc” e nem pesquisa).

Por isto existem comunidades no momento que podem ser consideradas idôneas, assim como grupos de poemas e reflexões c/ esta consciência: Quem por aqui já não foi considerado "chato" por que incentivou a PESQUISA? Será que não é preferível levar este predicado do que ser conivente c/ a falta de conscientização?

De modo geral quando se recebe uma autoria trocada ou repassada como sendo de autor desconhecido (se o texto for bom será que não merece ser checado?) ...não seria interessante avisar quem repassou o "equívoco"? (mesmo se a princípio for em modo privado), em caso de outras comunidades não caberia um alerta?

Lidar com este lance de direitos autorias requer aprendizado constante do tato porque na "net" as interpretações fogem do "tête-à-tête".

*

Errar é humano, conscientize-se. MUDE o ponto de vista, para divulgar melhor.

As Olivias - Processo seletivo http://www.youtube.com/watch?v=DoSO5pVCNuo

Rosangela_Aliberti
São Paulo, 2008
art by Alberto G. Baccelli

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Dicas de produtividade de um escritor

Faça o que eu faço. Se quiser…

Se você gosta de escrever contos ou romances acho que vai gostar do que relaciono abaixo. São algumas das práticas que, como escritor, adoto no dia-a-dia. São também hábitos profissionais positivos de outros escritores que acabei incorporando na minha atividade. Mas lembre: não são verdades absolutas. Funcionam para mim.

Já ouviu aquela história de que um marceneiro sempre tem um martelo ou serrote preferido? O mesmo acontece com advogados, médicos, engenheiros e mecânicos. Não vamos nem falar em chefes de cozinha e suas facas. Com a experiência aparecem pequenas idiossincrasias que afetam, às vezes para melhor e às vezes para pior, o trabalho do profissional. O uso de certas ferramentas ou determinadas práticas podem determinar, em longo prazo, o sucesso ou o fracasso de um projeto.

Por exemplo, por muitos anos eu só conseguia sentar para escrever depois de lavar a louça, limpar o banheiro dos gatos, colocar a roupa para lavar e tomar banho. Esta preparação (doentia, eu sei) tomava em torno de 90 minutos. Com freqüência eu gastava mais tempo me preparando do que escrevendo (eu sei, eu sei, não diga nada). O resultado é óbvio: muito tempo investido e pouca produtividade.

Se o seu negócio é escrever hai kais o tempo total de edição será provavelmente menor do que aquele para escrever um livro de 300 páginas. Mas se todo dia antes de escrever você cumpre um ritual que demora duas horas, o tempo total de edição vai ficando ridiculamente longo. O que acontece então com o tal livro de 300 páginas? Exato, demora anos para ser terminado.

Vamos fazer um acordo? Analisando friamente, não faz diferença na qualidade de seu texto se sobre a pia estão empilhados dois ou três pratos. Não vou processar você se suas roupas forem lavadas somente no final da tarde e as xícaras do café da manhã não gritam e se suicidam no chão da cozinha se você deixá-las lá sozinhas por mais uma hora.

Então vá escrever, ok? Mas antes dê uma olhada não nas manias, mas nas práticas positivas que escritores adotam em pesquisa, técnicas gerais, revisão, divulgação e outras fundamentais para o sucesso do manuscrito.

Pesquisa
Deixe que outros façam certas pesquisas para você. É possível encontrar informações valiosas com agentes de viagens, em panfletos, com bibliotecários e donos de lojas.
Dependendo do texto que você esteja escrevendo, talvez seja necessário fazer entrevistas. Faça então uma lista com os nomes de todos as pessoas que você vai entrevistar, separando-as em categorias como: fontes oficiais, especialistas e fontes acadêmicas que desenvolvem estudos ou trabalhos na área de seu interesse. Depois, entreviste “pessoas reais” que são afetadas direta ou indiretamente pelo assunto que você está pesquisando.
Quando for realizar entrevistas, leia o máximo que puder sobre o assunto e leve suas perguntas por escrito. Comece com perguntas mais fáceis, para ir “aquecendo” a pessoa. Termine com as perguntas que podem perturbar ou até enraivecer o entrevistado.
Quando for marcar um horário para entrevistar alguém, esteja pronto caso a pessoa diga: – Ok, vamos fazer a entrevista agora.
Se você estiver com dificuldades para fazer aquele primeiro rascunho, faça o seguinte: leia a respeito do assunto. Tome notas. Leia de novo, prestando atenção para “o que não está ali”.
Faça pesquisas em bibliotecas, na Internet e/ou entrevistando pessoas. Quando as informações começarem a soar repetitivas, chegou na hora de parar a pesquisa.
Arquive suas anotações e informações imediatamente. Use um sistema funcional de organização para suas anotações, seja em computador ou fichas de arquivo: nada é mais frustrante e desgastante do que passar horas procurando uma informação que você “achava que estava lá”.
Leia e releia suas anotações. Sublinhe as partes mais importantes. Faça um esquema. Depois detalhe o esquema. Transforme este esquema detalhado em um resumo. Desenvolva o resumo. Mas lembre-se que vai chegar um momento em que você vai ter que escrever o texto propriamente dito.
Quando estiver escrevendo uma história complicada, faça um roteiro resumido das cenas. Se ainda assim estiver perdido, escreva as cenas resumidamente em pequenas fichas e espalhe tudo na sua frente. Assim você terá uma visão de conjunto da sua obra, facilitando a análise da seqüência de cenas e capítulos.
Sempre escreva uma “primeira versão”. Não crie desnecessariamente a imensa pressão de escrever sua “obra prima” assim que seus dedos toquem no teclado.
Com freqüência sua “primeira versão” poderá ser muito longa. Não tenha medo de cortar palavras, parágrafos e até cenas inteiras. Tirar um personagem do livro não é o mesmo que matar um amigo. Você acaba esquecendo e usando “o amigo” em outra situação. Mas use o bom senso. Em ficção, muitas vezes, menos é mais.
Quando estiver satisfeito com seu texto, verifique todos os fatos. Duas vezes.

Técnicas
Nunca… nunca jogue fora as suas anotações de pesquisas.
É muito importante saber escrever diálogos. Como um exercício, reproduza uma linha de diálogo que você tenha ouvido em qualquer lugar. Em seguida faça com que a conversa “caminhe”, não importa para que lado.
Abra um dicionário e escolha uma palavra qualquer. Escreva uma pergunta usando esta palavra e depois escreva a resposta.
Ao escrever um diálogo, analise as falas do ponto de vista da personagem, do local e do enredo. Depois faça-se as seguintes perguntas: Quem está dizendo isto, como é esta personagem fisicamente e qual sua ocupação? Porque esta personagem diria algo assim? Qual é a emoção dominante desta personagem neste momento? O que fez esta personagem dizer isto? Com quem ela estava conversando? Quais são os objetivos específicos desta cena? Quais são os sons e odores ambientes que seriam capazes de influenciar esta conversa? Este diálogo evidencia algum traço importante da personagem que contribui de alguma forma para o andamento do enredo? Se estas perguntas tiverem respostas insatisfatórias, repense o uso do diálogo e até da cena como um todo.
Escreva “resmas” de diálogos. É muito melhor na hora da revisão final ter à sua disposição várias opções e poder dar-se ao luxo de escolher entre as melhores.
Os textos que você produz não são como seus filhos: intocáveis, puros e perfeitos. Se alguém lhe der sugestões, ouça todas. Descarte o que não for útil e use o resto.

Revisão
Contrate um profissional para corrigir seu texto. Você não terá dificuldades para encontrar um professor de língua portuguesa ou literatura que, mediante um valor previamente acordado, corrija seus originais e converse com você sobre o livro como um todo. Dê preferência para professores universitários dos cursos de letras ou jornalismo. Pagar até US$ 1,50 por página é razoável.
Lembre-se que o papel do editor não é só publicar seu livro. Ele tem direito (e provavelmente fará uso dele) para editar seu texto. Isto é: ele poderá sugerir e mesmo fazer alterações. Poderá até condicionar a publicação a certas alterações.
Nunca mande textos para análise sem antes revisar o material em uma cópia impressa.
Quando o texto estiver terminado, afaste-se dele. Fique algum tempo sem ler nada sobre o assunto. Pelo menos dois meses. É o suficiente para você criar um distanciamento em relação à sua criação. Você terá “esquecido” certas partes. Arme-se então do mais afiado senso crítico e aborde o texto como um pirata, pronto a cortar, eliminar, saquear e só levar consigo o que é realmente bom e valioso.

Divulgação
Mantenha uma agenda atualizada com os nomes e os telefones e/ou e-mails de todas as pessoas que você precisou entrevistar para produzir seu texto.
É imperativo que você inclua nos agradecimentos do seu livro uma menção a todas as pessoas que você entrevistou. É também muito bom mencionar aqueles que leram o original antes do livro ser publicado.
Deixe seu revanchismo de fora dos agradecimentos e dedicatórias. Publicar uma obra deverá ser mais do que suficiente para apagar de sua memória os desgostos, os sorrisos velados e os comentários à meia voz pelas suas costas. Você não precisa carregar o resto da vida o peso das pessoas que não acreditavam em você.

Fundamental
“Ouça” sua intuição. Ela é como uma amiga fiel. Se você a trair vai se arrepender amargamente.
Não confie só no seu computador.
Não faça backups só em meios eletrônicos. Além de CDs, DVDs, arquivos virtuais em servidores na internet e flash drives, que tal imprimir seus textos de vez em quando?
Tenha cópias (mesmo que seja só em meios eletrônicos) das diversas fases do seu processo. E mantenha cópias em lugares diferentes de onde fica o seu computador. Seguro morreu de velho… e tranqüilo, com cópias de segurança do seu trabalho.

Fábio Marchioro

Afinal, revisar por quê?

Imagine alguém que goste (e entenda) muito de risoto. Nosso gourmand vai a um restaurante de grande prestígio, cuja cozinha é dirigida por um chef de renome internacional, e pede seu prato predileto: risoto de camarão. Ao recebê-lo na mesa, tudo parece perfeito: o aroma, a textura do camarão, os condimentos, o gosto delicioso… Entretanto, enquanto refestela o paladar, mastigando o arroz cozido no ponto perfeito, nosso personagem encontra, cá e lá, de vez em quando, uma pedrinha. As incômodas mordidas nos pedacinhos duros certamente o irritariam a ponto de ele desqualificar o cozinheiro e nunca mais voltar ao restaurante, por mais refinado que fosse o sabor da iguaria, por maiores que fossem as qualidades dos ingredientes.

É isso que pode acontecer quando um leitor qualificado se depara com um texto agradável, fluente, saboroso… mas que, cá e lá, dez vez em quando, deixa escapar “errinhos de português”. Esses erros são pedrinhas no risoto, e dificilmente o leitor que seja bom conhecedor da língua deixará de considerá-los um ponto bastante negativo ao avaliar o texto.

Um bom escritor é sempre um bom manipulador da língua. Ainda que não conheça de cor e salteado as regras gramaticais, ele sabe empregar adequadamente o idioma, mesmo que intuitivamente. E os grandes literatos que “torceram” as regras do português (imediatamente me vem à ideia Guimarães Rosa) sabiam exatamente o que estavam fazendo.

Claro que mesmo bons escritores estão sujeitos a pequenos deslizes na escritura de um texto. É por isso que, sábios e humildes, recorrem aos revisores – funcionários da palavra que, ainda quando não tenham o estro literário, sabem identificar pequenas ervas daninhas insinuando-se no trigal do texto.

Há um bem sucedido escritor brasileiro que, segundo consta, não admitia (ao que parece, por razões místicas) que seus escritos fossem revisados. Graças a isso, são facilmente encontráveis erros evidentes em seus primeiros livros. Repetindo no exterior o sucesso nacional, tal autor alcançou celebridade muito maior do que seus escritos lhe haviam dado, a princípio, em solo pátrio: os textos bem vertidos para línguas estrangeiras certamente não continham erros. Deu então a mão à palmatória o escritor, passando a permitir a “intromissão” de revisores no seu texto, o que melhorou a qualidade de seus livros.

Já o autor brasileiro mais premiado em anos recentes, Cristóvão Tezza, tem um impecável domínio do idioma. Tal qualidade faz com que suas obras possam dar ao leitor um grande prazer apenas na consideração da perfeição da escrita, independentemente da história. Certamente consciente disso, Tezza chegou a incluir em algumas histórias páginas que pouco contribuem para a construção da trama e parecem estar nelas apenas para dar ao leitor o deleite do texto primoroso.

Quaisquer que sejam o objetivo e o estilo do texto (literário, técnico, científico, burocrático…), é legítimo que o leitor espere, pelo menos, um uso correto do idioma. E também é certo que a ausência de erros já eleva a qualificação daquilo que se escreve. Portanto, senhores autores, façam boamente uso do trabalho do revisor, que colocará seu esforço e seu conhecimento a serviço da boa qualidade do texto, ajudando o leitor a sorvê-lo na autenticidade de seu sabor, sem incômodos de forma que possam aviltar o estilo.

Tomás Barreiro

Seja criativo em 5 voos

A criatividade aflora quando mudamos o padrão, variamos o ângulo, quando vamos além da primeira resposta e procuramos alternativas.

Ela é mãe. E também madrasta. Quando menos esperamos, lá vem ela em toda sua glória. Indica o caminho, ilumina a escalada, elimina nossas dúvidas e nos incentiva quando desanimamos. Por outro lado, na noite mais escura, do lugar mais isolado, do poço mais profundo, certas vezes ela não escuta nosso pedido de ajuda.

Qual a alternativa? Tomar as rédeas desta carruagem desgovernada e conduzi-la da forma que acharmos mais apropriada. Existe saída deste beco. Mas primeiro precisamos levar em consideração que os sentidos humanos estão programados para discernir diferenças. Por exemplo: você é convidado para um churrasco na casa de um amigo. Quando chega lá, sente o cheiro da carne assando. Sua boca começa a salivar. Você escuta o filé mignon fazendo aquele ruído… ssssssss… na grelha. A casa inteira está tomada pelo aroma da carne sendo preparada.

No entanto, dez minutos depois o “perfume” desapareceu. Você não sente mais o cheiro da carne na churrasqueira. O mesmo acontece com ruídos, estímulos táteis ou qualquer outra manifestação externa que bombardeie seus sentidos. Se a manifestação for contínua, ela não será mais percebida. Mais um exemplo: pare tudo e escute o barulho do tráfego lá fora.

Percebeu? Os motores, as buzinas e o ruído dos pneus no asfalto estavam lá o tempo todo. Mas você não estava mais ouvindo porque não estava mais prestando atenção. Não é à toa que este tipo de barulho é chamado de ruído branco. É o estímulo (a TV lá na sala, o cachorro do vizinho, aquela dorzinha nas costas que nunca vai embora) que nossa consciência administra jogando lá para o fundo, onde, em tese, não incomodaria mais.

Todos precisamos de pelo menos algumas constantes na nossa vida. Nem que seja uma sombra de rotina para podermos viver em sociedade. Se você fizer tudo diferente, o tempo todo, todos os dias em todos os lugares, o diferente se transforma na rotina. Por outro lado a rotina massacrante também anestesia os sentidos. Qual o caminho? Como sempre, o do meio. O do bom senso.

E a alternativa para dar esta cutucada na criatividade é quebrar o padrão. Esquecer o normal. Abandonar, inclusive, por alguns minutos, o que as pessoas chamam de “razão”.

Não posso dar receitas de bolo de como resolver este problema, mesmo porque somos todos muito diferentes. Mas posso dizer o que funciona comigo. Sinto que, às vezes, preciso “inspirar” a inspiração. Ela é preguiçosa por natureza (aliás, como eu) e precisamos fazer nossa parte. Quando ela está ocupada lidando com outros problemas, normalmente faço o seguinte:
Converso com nossas gatinhas – temos duas gatinhas, Miadóra e Shypelanca. Invento diálogos com elas. Converso, debato, argumento, faço os dois lados da discussão. Claro que esta técnica serve também para cachorros, passarinhos, coelhos e outros seres vivos. Até bebês.
Invento letras absurdas para melodias de músicas que gosto – Ou ainda invento minhas próprias melodias. Claro, não tenho um dom musical, então você pode imaginar como minhas músicas soam. Isto funciona especialmente quando estou fazendo tarefas maçantes ou repetitivas. O problema é que não consigo combinar os dois exercícios, pois quando começo a cantar, as gatas desaparecem.

As próximas 3 “técnicas” (são brincadeiras, na verdade) também funcionam muito bem.
Faça caretas na frente do espelho. E não se preocupe se alguém pegar você em flagrante. Faça mais uma careta dirigida ao invasor! É interessante ver seu rosto de forma diferente.
Mude de posição. Sente de trás pra frente na cadeira. Mude a cadeira de posição. Mude a mesa de posição. Vá escrever no jardim, na sacada, na escada, debaixo da mesa, dentro do box do chuveiro (com ele desligado, por favor). Inverta coisas, práticas e modelos. Subverta seu local de trabalho.
Faça de conta que você é uma figura histórica ou mitológica. Pode ser um ex-presidente, o Hércules, Sócrates ou até figuras como Papai Noel ou o Coelho da Páscoa. Qualquer personagem serve. Que tal um super-herói? Como você resolveria seus problemas, os problemas de outras pessoas ou ainda os problemas do mundo se você tivesse um super poder?

Se quiser ler mais a respeito, aqui estão alguns livros relacionados ao assunto.

Em Espere o Inesperado (ou você não o encontrará), Roger von Oech utiliza trinta epigramas de Heráclito como trampolins para impulsionar a criatividade. Ao usar cada máxima como uma fonte de inspiração, ele nos proporciona passagens divertidas, enigmas desafiadores e perguntas intrigantes formuladas para derrubar velhos hábitos mentais e incendiar a imaginação. O autor mostra como reverter nossas expectativas, conduzir a mudança a nosso favor, criar metáforas poderosas e evitar a armadilha do “mais” , ou seja, supor que mais é sempre melhor para resolução de problemas. Todas as pessoas que buscam novos métodos para a resolução de problemas – administradores, estudantes, artistas – encontrarão neste livro uma ferramenta de inestimável valor. Quer você o leia como um manual de criatividade, quer use os insights como uma forma de meditação matinal ou consulte-o diariamente como um oráculo. Esta obra dará uma saudável sacudida na sua imaginação.(fonte: Submarino)

Este livro contém uma importante mensagem: a de que a criatividade pode ser cultivada por todos – crianças e adultos, empresas e comunidades inteiras. Como você pode liberar o seu espírito criativo e usá-lo para melhorar a qualidade da sua vida? Este livro o leva a conhecer o processo criativo, fazendo-o entender os reinos da intuição e do “fluxo criativo”, onde os nossos esforços estão perfeitamente à altura da tarefa que temos em mãos. Ele oferece uma série de exercícios práticos para aumentar sua criatividade e desfazer hábitos preconceituosos de pensamento, e leva você numa viagem ao redor do mundo contando-lhe histórias inspiradoras sobre o espírito criativo em ação: Uma escola revolucionária italiana mostra como liberar a criatividade das crianças. O gênio cômico Chuck Jones, lendário criador do coelho Pernalonga, explica por que “a ansiedade é a serva da criatividade”. Uma inovadora fábrica sueca abre mão da hierarquia e revela todos os segredos da empresa aos funcionários. Uma igreja urbana norte-americana usa a antiga arte da escultura para ajudar na reconstrução de uma comunidade. Repleto de humor e dos altos e baixos da criatividade, O Espírito Criativo nos encoraja a investir na paixão, na persistência e na disposição de correr riscos que podem nos fazer sentir a alegria de viver.(fonte: Submarino)

Ao expor e questionar o mito da criatividade, o autor demonstra, em prosa ágil, bem-humorada e competente, que ela é um produto bem mais acessível do que se imagina. Antes de ser uma dádiva divina, é fruto do trabalho gradual e da dedicação apaixonada de cada um de nós. Para provar, Zugman investiga a vida e o pensamento de uma série de personagens e personalidades reconhecidamente criativas: Darwin, Freud, Einstein, Batman, Da Vinci e até o célebre governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger. Uma viagem cultural imperdível.(fonte: Submarino).

Fábio Marchioro

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Invictus

Invictus é um pequeno poema do poeta Inglês William Ernest Henley (1849-1903). Ele foi escrito em 1875 e publicado pela primeira vez em 1888.
Nelson Mandela citou-o como fonte de inspiração durante seu tempo na prisão.

Do avesso desta noite que me encobre,
Preta como a cova, do começo ao fim,
Eu agradeço a quaisquer deuses que existam,
Pela minha alma inconquistável.
Na garra cruel desta circunstância,
Não estremeci, nem gritei em voz alta.
Sob a pancada do acaso,
Minha cabeça está ensanguentada, mas não curvada.
Além deste lugar de ira e lágrimas
Avulta apenas o horror das sombras.
E apesar da ameaça dos anos,
Encontra-me, e me encontrará destemido.
Não importa quão estreito o portal,
Quão carregada de punições a lista,
Sou o mestre do meu destino:
Sou o capitão da minha alma.


A internet é perigosa para o ignorante e útil para o sábio

Em 2011, aos 80 anos, Umberto Eco concedeu uma entrevista à revista Época onde comentou sobre os prós e contras da internet como ferramenta formadora de indivíduos leitores críticos e/ou analfabetos funcionais. E sobre a acessibilidade do conhecimento possibilitada pela mesma. Confira abaixo a reprodução desta entrevista e não deixe de compartilhar conosco a sua opinião sobre o assunto.

ÉPOCA - Como o senhor se sente, completando 80 anos?

Umberto Eco - Bem mais velho! (Risos.) Vamos nos tornando importantes com a idade, mas não me sinto importante nem velho. Não posso reclamar de rotina. Minha vida é agitada. Ainda mantenho uma cátedra no Departamento de Semiótica e Comunicação da Universidade de Bolonha e continuo orientando doutorandos e pós-doutorandos. Dou muita palestra pelo mundo afora. E tenho feito turnês de lançamento de O cemitério de Praga. Acabo de voltar de uma megaexcursão pelos Estados Unidos. Ela quase me custou o braço. Estou com tendinite de tanto dar autógrafos em livros. 

ÉPOCA - O senhor tem sido um dos mais ferrenhos defensores do livro em papel. Sua tese é de que o livro não vai acabar. Mesmo assim, estamos assistindo à popularização dos leitores digitais e tablets. O livro em papel ainda tem sentido?

Eco - Sou colecionador de livros. Defendi a sobrevivência do livro ao lado de Jean-Claude Carrière no volume Não contem com o fim do livro. Fizemos isso por motivos estéticos e gnoseológicos (relativo ao conhecimento). O livro ainda é o meio ideal para aprender. Não precisa de eletricidade, e você pode riscar à vontade. Achávamos impossível ler textos no monitor do computador. Mas isso faz dois anos. Em minha viagem pelos Estados Unidos, precisava carregar 20 livros comigo, e meu braço não me ajudava. Por isso, resolvi comprar um iPad. Foi útil na questão do transporte dos volumes. Comecei a ler no aparelho e não achei tão mau. Aliás, achei ótimo. E passei a ler no iPad, você acredita? Pois é. Mesmo assim, acho que os tablets e e-books servem como auxiliares de leitura. São mais para entretenimento que para estudo. Gosto de riscar, anotar e interferir nas páginas de um livro. Isso ainda não é possível fazer num tablet. 

ÉPOCA - Apesar dessas melhorias, o senhor ainda vê a internet como um perigo para o saber?

Eco - A internet não seleciona a informação. Há de tudo por lá. A Wikipédia presta um desserviço ao internauta. Outro dia publicaram fofocas a meu respeito, e tive de intervir e corrigir os erros e absurdos. A internet ainda é um mundo selvagem e perigoso. Tudo surge lá sem hierarquia. A imensa quantidade de coisas que circula é pior que a falta de informação. O excesso de informação provoca a amnésia. Informação demais faz mal. Quando não lembramos o que aprendemos, ficamos parecidos com animais. Conhecer é cortar, é selecionar. Vamos tomar como exemplo o ditador e líder romano Júlio César e como os historiadores antigos trataram dele. Todos dizem que foi importante porque alterou a história. Os cronistas romanos só citam sua mulher, Calpúrnia, porque esteve ao lado de César. Nada se sabe sobre a viuvez de Calpúrnia. Se costurou, dedicou-se à educação ou seja lá o que for. Hoje, na internet, Júlio César e Calpúrnia têm a mesma importância. Ora, isso não é conhecimento. 


ÉPOCA - Mas o conhecimento está se tornando cada vez mais acessível via computadores e internet. O senhor não acha que o acesso a bancos de dados de universidades e instituições confiáveis estão alterando nossa noção de cultura?

Eco - Sim, é verdade. Se você sabe quais os sites e bancos de dados são confiáveis, você tem acesso ao conhecimento. Mas veja bem: você e eu somos ricos de conhecimento. Podemos aproveitar melhor a internet do que aquele pobre senhor que está comprando salame na feira aí em frente. Nesse sentido, a televisão era útil para o ignorante, porque selecionava a informação de que ele poderia precisar, ainda que informação idiota. A internet é perigosa para o ignorante porque não filtra nada para ele. Ela só é boa para quem já conhece – e sabe onde está o conhecimento. A longo prazo, o resultado pedagógico será dramático. Veremos multidões de ignorantes usando a internet para as mais variadas bobagens: jogos, bate-papos e busca de notícias irrelevantes. 

ÉPOCA - Há uma solução para o problema do excesso de informação?

Eco - Seria preciso criar uma teoria da filtragem. Uma disciplina prática, baseada na experimentação cotidiana com a internet. Fica aí uma sugestão para as universidades: elaborar uma teoria e uma ferramenta de filtragem que funcionem para o bem do conhecimento. Conhecer é filtrar.

ÉPOCA - O senhor já está pensando em um novo romance depois de O cemitério de Praga?

Eco - Vamos com calma. Mal publiquei um e você já quer outro. Estou sem tempo para ficção no momento. Na verdade, vou me ocupar agora de minha autobiografia intelectual. Fui convidado por uma instituição americana, Library of Living Philosophers, para elaborar meu percurso filosófico. Fiquei contente com o convite, porque passo a fazer parte de um projeto que inclui John Dewey, Jean-Paul Sartre e Richard Rorty - embora eu não seja filósofo. Desde 1939, o instituto convida um pensador vivo para narrar seu percurso intelectual em um livro. O volume traz então ensaios de vários especialistas sobre os diversos aspectos da obra do convidado. No final, o convidado responde às dúvidas e críticas levantadas. O desafio é sistematizar de uma forma lógica tudo o que já fiz...

ÉPOCA - Como lidar com tamanha variedade de caminhos?

Eco - Estou começando com meu interesse constante desde o começo da carreira pela Idade Média e pelos romances de Alessandro Manzoni. Depois vieram a Semiótica, a teoria da comunicação, a filosofia da linguagem. E há o lado banido, o da teoria ocultista, que sempre me fascinou. Tanto que tenho uma biblioteca só do assunto. Adoro a questão do falso. E foi recolhendo montes de teorias esquisitas que cheguei à ideia de escrever O cemitériode Praga.

ÉPOCA - Entre essas teorias, destaca-se a mais célebre das falsificações, O protocolo dos sábios de Sião. Por que o senhor se debruçou sobre um documento tão revoltante para fazer ficção?

Eco - Eu queria investigar como os europeus civilizados se esforçaram em construir inimigos invisíveis no século XIX. E o inimigo sempre figura como uma espécie de monstro: tem de ser repugnante, feio e malcheiroso. De alguma forma, o que causa repulsa no inimigo é algo que faz parte de nós. Foi essa ambivalência que persegui em O cemitério de Praga. Nada mais exemplar que a elaboração das teorias antissemitas, que viriam a desembocar no nazismo do século XX. Em pesquisas, em arquivos e na internet, constatei que o antissemitismo tem origem religiosa, deriva para o discurso de esquerda e, finalmente, dá uma guinada à direita para se tornar a prioridade da ideologia nacional-socialista. Começou na Idade Média a partir de uma visão cristã e religiosa. Os judeus eram estigmatizados como os assassinos de Jesus. Essa visão chegou ao ápice com Lutero. Ele pregava que os judeus fossem banidos. Os jesuítas também tiveram seu papel. No século XIX, os judeus, aparentemente integrados à Europa, começaram a ser satanizados por sua riqueza. A família de banqueiros Rotschild, estabelecida em Paris, virou um alvo do rancor social e dos pregadores socialistas. Descobri os textos de Léo Taxil, discípulo do socialista utópico Fourier. Ele inaugurou uma série de teorias sobre a conspiração judaica e capitalista internacional que resultaria em Os protocolos dos sábios do Sião, texto forjado em 1897 pela polícia secreta do czar Nicolau II.

ÉPOCA - O senhor considera os Procotolos uma das fontes do nazismo?

Eco - Sem dúvida. Adolf Hitler, em sua autobiografia, Minha luta, dava como legítimo o texto dos Protocolos. Hitler tomou como verdadeira uma falsificação das mais grosseiras, e essa mentira constitui um dos fundamentos do nazismo. A raiz do antissemitismo vem de muito antes, de uma construção do inimigo, que partiu de delírios e paranoias.

ÉPOCA - O personagem de O cemitério de Praga, Simone Simonini, parece concentrar todos os preconceitos e delírios europeus do século XIX. Ele é ao mesmo tempo antissemita, anticlerical, anticapitalicas e antissocialista. Como surgiu na sua mente alguém tão abominável?

Eco - Os críticos disseram que Simonini é o personagem mais horroroso da literatura de todos os tempos, e devo concordar com eles. Ele também é muito divertido. Seus excessos estão ali para provocar riso e revolta. No romance, Simonini é a única figura fictícia. Guarda todos os preconceitos e fantasias sobre um inimigo que jamais conhece. E se desdobra em várias personalidades: durante o dia, atua como tabelião falsificador de documentos; à noite, traveste-se em falso padre jesuíta e sai atrás de aventuras sinistras. Acaba virando joguete dos monarquistas, que se opõem à unificação da Itália, e, por fim, dos russos. Imaginei Simonini como um dos autores de Os protocolos dos sábios do Sião.

ÉPOCA - A falsificação sobre falsificações permitida pela ficção tornou o livro controverso. Ele tem provocado reações negativas. O senhor gosta de lidar com polêmicas?

Eco - A recepção tem sido positiva. O livro tem feito sucesso sem precisar de polêmicas. Quando foi lançado na Itália, ele gerou alguma discussão. O L'osservatore Romano, órgão oficial do Vaticano, publicou um artigo condenando os ataques do livro aos jesuítas. Não respondi, porque sou conhecido como um intelectual anticlerical - e já havia discutido com a igreja católica no tempo de O nome da rosa, quando me acusaram de atacar a igreja. O rabino de Roma leu O cemitério de Praga e advertiu em um pronunciamento que as teorias contidas no livro poderiam se tornar novamente populares a partir da obra. Respondi a ele que não havia esse perigo. Ao contrário, se Simonini serve para alguma coisa, é para provocar nossa indignação.

ÉPOCA - Além de falsário, Simonini se revela um gourmet. Ao longo do livro, o senhor joga listas e listas de receitas as mais extravagantes, que Simonini comenta com volúpia. O senhor gosta de gastronomia?

Eco - Eu sou MacDonald's! Nunca me incomodei com detalhes de comida. Pesquisei receitas antigas com um objetivo preciso: causar repugnância no leitor. A gastronomia é um dado negativo na composição do personagem. Quando Simonini discorre sobre pratos esquisitos, o leitor deve sentir o estômago revirado.

ÉPOCA - Qual o sentido de escrever romances hoje em dia? O que o atrai no gênero?

Eco - Faz todo o sentido escrever ficção. Não vejo como fazer hoje narrativa experimental, como James Joyce fez com Finnegan's Wake, para mim a fronteira final da experimentação. Houve um recuo para a narrativa linear e clássica. Comecei a escrever ficção nesse contexto de restauração da narratividade, chamado de pós-modernismo. Sou considerado um autor pós-moderno, e concordo com isso. Vasculho as formas e artifícios do romance tradicional. Só que procuro introduzir temas que possam intrigar o leitor: a teoria da comédia perdida de Aristóteles em O nome da rosa; as conspirações maçônicas em O pêndulo de Foucault; a imaginação medieval em Baudolino; a memória e os quadrinhos em A misteriosa chama; a construção do antissemitismo em O cemitério de Praga. O romance é a realização maior da narratividade. E a narratividade conserva o mito arcaico, base de nossa cultura. Contar uma história que emocione e transforme quem a absorve é algo que se passa com a mãe e seu filho, o romancista e seu leitor, o cineasta e seu espectador. A força da narrativa é mais efetiva do que qualquer tecnologia.

ÉPOCA - Philip Roth disse que a literatura morreu. Qual a sua opinião sobre os apocalípticos que preveem a morte da literatura?

Eco - Philip Roth é um grande escritor. A contar com ele, a literatura não vai morrer tão cedo. Ele publica um romance por ano, e sempre de boa qualidade. Não me parece que nem o romance nem ele pretendem interromper a carreira (risos).

ÉPOCA - Mas por que hoje não aparecem romancistas do porte de Liev Tolstói e Gustave Flaubert?

Eco - Talvez porque ainda não os descobrimos. Nada acontece imediatamente na literatura. É preciso esperar um pouco. Devem certamente existir Tolstóis e Flauberts por aí. E têm surgido ótimos ficcionistas em toda parte.

ÉPOCA - Como o senhor analisa a literatura contemporânea?

Eco - Há bons autores medianos na Itália. Nada de genial, mas têm saído livros interessantes de autores bastante promissores. Hoje existe o thriller italiano, com os romances de suspense de Andrea Camilleri e seus discípulos. No entanto, um signo do abalo econômico italiano é que não é mais possível um romancista viver de sua obra literária, como fazia (Alberto) Moravia. Hoje romance virou uma atividade diletante. É diferente do que ocorre nos Estados Unidos, aindaum polo emissor de ótima ficção e da profissionalização dos escritores. Além dos livros de Roth, adorei ler Liberdade, de Jonathan Franzen, um romance de corte clássico e repleto de referências culturais. A França, infelizmente, experimenta uma certa decadência literária, e nada de bom apareceu nos últimos tempos. O mesmo parece se passar com a América Latina. Já vão longe os tempos do realismo fantástico de García Márquez e Jorge Luis Borges. Nada tem vindo de lá que me pareça digno de nota.

ÉPOCA - E a literatura brasileira? Que impressões o senhor tem do Brasil? O país lhe parece mais interessante hoje do que há 30 anos?

Eco - O Brasil é um país incrivelmente dinâmico. Visitei o Brasil há muito tempo, agora acompanho de longe as notícias sobre o país. A primeira vez foi em 1966. Foi quando visitei terreiros de umbanda e candomblé - e mais tarde usei essa experiência em um capítulo de O pêndulo de Foucault para descrever um ritual de candomblé. Quando voltei em 1978, tudo já havia mudado, as cidades já não pareciam as mesmas. Imagino que hoje em dia o Brasil esteja completamente transformado. Não tenho acompanhado nada do que se faz por lá em literatura. Eu era amigo do poeta Haroldo de Campos, um grande erudito e tradutor. Gostaria de voltar, tenho muitos convites, mas agora ando muito ocupado... comigo mesmo.

ÉPOCA - O senhor foi o criador do suspense erudito. O modelo é ainda válido?

Eco - Em O nome da Rosa, consegui juntar erudição e romance de suspense. Inventei o investigador-frade William de Baskerville, baseado em Sherlock Holmes de Conan Dolyle, um bibliotecário cego inspirado em Jorge Luis Borges, e fui muito criticado porque Jorge de Burgos, o personagem, revela-se um vilão. De qualquer forma, o livro foi um sucesso e ajudou a criar um tipo de literatura que vejo com bons olhos Sim, há muita coisa boa sendo feita. Gosto de (Arturo) Pérez-Reverte, com seus livros de fantasia que lembram os romances de aventura de Alexandre Dumas e Emilio Salgari que eu lia quando menino.

ÉPOCA - Lendo seus seguidores, como Dan Brown, o senhor às vezes não se arrepende de ter criado o suspense erudito?

Eco - Às vezes, sim! (risos) O Dan Brown me irrita porque ele parece um personagem inventado por mim. Em vez de ele compreender que as teorias conspiratórias são falsas, Brown as assume como verdadeiras, ficando ao lado do personagem, sem questionar nada. É o que ele faz em O Código DaVinci. É o mesmo contexto de O pêndulo de Foucault. Mas ele parece ter adotado a história para simplificá-la. Isso provoca ondas de mistificação. Há leitores que acreditam em tudo o que Dan Brown escreve - e não posso condená-los.

ÉPOCA - O que vem antes na sua obra, a teoria ou a ficção?

Eco - Não há um caminho único. Eu tanto posso escrever um romance a partir de uma pesquisa ou um ensaio que eu tenha feito. Foi o caso de O pêndulo de Foucault, que nasceu de uma teoria. Baudolino resultou de ideias que elaborei em torno da falsificação. Ou vice-versa. Depois de escrever Ocemitério de Praga, me veio a ideia de elaborar uma teoria, que resultou no livro Costruire il Nemico (Construir o Inimigo, lançado em maio de 2011). E nada impede que uma teoria nascida de uma obra de ficção redunde em outra ficção.

ÉPOCA - Quando escreve, o senhor tem um método ou uma superstição?

Eco - Não tenho nenhum método. Não sou com Alberto Moravia, que acordava às 8h, trabalhava até o meio-dia, almoçava, e depois voltava para a escrivaninha. Escrevo ficção sempre que me dá prazer, sem observar horários e metodologias. Adoro escrever por escrever, em qualquer meio, do lápis ao computador. Quando elaboro textos acadêmicos ou ensaio, preciso me concentrar, mas não o faço por método.

ÉPOCA - Como o senhor analisa a crise econômica italiana? Existe uma crise moral que acompanha o processo de decadência cultural? A Itália vai acabar?

Eco - Não sou economista para responder à pergunta. Não sei por que vocês jornalistas estão sempre fazendo perguntas (risos). Talvez porque eu tenha sido um crítico do governo Silvio Berlusconi nesses anos todos, nos meus artigos de jornal, não é mesmo? Bom, a Itália vive uma crise econômica sem precedentes. Nos anos Berlusconi, desde 2001, os italianos viveram uma fantasia, que conduziu à decadência moral. Os pais sonhavam com que as filhas frequentassem as orgias de Berlusconi para assim se tornarem estrela da televisão. Isso tinha de parar, acho que agora todos se deram conta dos excessos. A Itália continua a existir, apesar de Berlusconi.

ÉPOCA - O senhor está confiante com a junção Merkozy (Nicolas Sarkozy e Angela Merkel) e a ascensão dos tecnocratas, como Mario Monti como primeiro ministro da Itália?

Eco - Se não há outra forma de governar a zona do Euro, o que fazer? Merkel tem o encargo, mas também sofre pressões em seu país, para que deixe de apoiar países em dificuldades. A ascensão de Monti marca a chegada dos tecnocratas ao poder. E de fato é hora de tomar medidas duras e impopulares que só tecnocratas como Monti, que não se preocupa com eleição, podem tomar, como o corte nas aposentadorias e outros privilégios.

ÉPOCA - O que o senhor faz no tempo livre?

Eco - Coleciono livros e ouço música pela internet. Tenho encontrado ótimas rádios virtuais. Estou encantado com uma emissora que só transmite música coral. Eu toco flauta doce (mostra cinco flautas de variados tamanhos), mas não tenho tido tempo para praticar. Gosto de brincar com meus netos, uma menina e um menino.

ÉPOCA - Os 80 anos também são uma ocasião para pensar na cidade natal. Como é sua ligação com Alessandria?

Eco - Não é difícil voltar para lá, porque Alessandria fica a uns 100 quilômetros de Milão. Aliás foi um dos motivos que escolhi morar por aqui: é perto de Bolonha e de Alessandria. Quando volto, sou recebido como uma celebridade. Eu e o chapéu Borsalino, somos produção de Alessandria! Reencontro velhos amigos no clube da cidade, sou homenageado, bato muito papo. Não tenho mais parentes próximos. É sempre emocionante.

quarta-feira, 20 de março de 2013

CONCEITO DE ÉTICA

José Renato Nalini

1.1 Introdução 

A ética está em todos os discursos. A propósito de qualquer acontecimento, levantam-se as vozes dos moralistas a invocar a ne­cessidade de reforço ético. Ética, infelizmente, é moeda em curso até para os que não costumam se portar eticamente. Por isso, com­preensível que muitos já não acreditem no termo ética. Trivializou-se o chamado à ética, para servir a qualquer objetivo. Além disso, a uti­lização excessiva de certas expressões compromete o seu sentido, como se o emprego freqüente implicasse em debilidade semântica. Isso parece ocorrer com os vocábulos JUSTIÇA, LIBERDADE, IGUALDADE, SOLIDARIEDADE, DIREITOS HUMANOS e também com o termo ÉTICA. 

A invocação exagerada a tais palavras, em contextos os mais diversos, conseguiu banalizar seu conteúdo. Situam-se em todos os discursos, ensaios e manifestações. Não há mais fronteiras ideológi­cas entre elas: todos se valem do prestígio de seu conteúdo. Ante seu pronunciamento, os ouvidos se amparam em certa insensibilidade, pois acredita-se não mais haver necessidade dessa reiteração. Além de cansativa, seria desnecessária. Os conceitos já teriam sido adequa­damente assimilados. 

O núcleo comum a todas essas palavras é sua evidente carga emotiva. São expressões que se impregnam de sentimento. Distan­ciam-se do sentido racional. Não guardam enunciado singelo. En­cerram a complexidade própria às questões ditas filosóficas. Refor­çam a convicção "de que o objeto próprio da filosofia é o estudo sistemático das noções confusas. Com efeito, quanto mais uma noção simboliza um valor, quanto mais numerosos são os sentidos conceituais que tentam defini-Ia, mais confusa ela parece".[1]

Entretanto, nunca foi tão urgente, como hoje se evidencia, rea­bilitar a ÉTICA. A crise da Humanidade é uma crise de ordem mo­ral. Os descaminhos da criatura humana, refletidos na violência, na exclusão, no egoísmo e na indiferença pela sorte do semelhante, assentam-se na perda de valores morais. A insensibilidade no trato com a natureza denota a contaminação da consciência humana pelo vírus da mais cruel insensatez. É paradoxal assistir à proclamação enfática dos direitos humanos, simultânea à intensificação do des­respeito por todos eles. De pouco vale reconhecer a dignidade da pessoa, insculpida como princípio fundamental da República, se a conduta pessoal não consegue se pautar por ela. 

Somente se vier a ser recomposto o referencial de valores bási­cos de orientação do comportamento, é que será viável a formulação de um futuro mais promissor para a humanidade, perplexa diante de um inesgotável incremento das descobertas científicas, a domi­nar tecnologias as mais avançadas mas ainda envolta no drama da incapacidade de superação das angústias primárias. 

Prometia-se um terceiro milênio de paz, harmonia e ócio sau­dável. Em lugar disso, o inesperado surge para aturdir. Violência e medo se aliam para trazer desconforto à alma e a sólida sensa­ção de falência da moral. Não foi apenas o 11 de setembro de 2001 a mostrar a vulnerabilidade de todos os esquemas de uma inviável segurança. São Paulo, a unidade mais desenvolvida da Federação, teve o seu dia fatídico em 15 de maio de 2006[2]. Reforçar o aparelho repressivo, construir mais presídios, reduzir a maioridade penal, agravar as penas, tudo isso representa paliativo para os efeitos. Mui­to mais difícil é combater as causas. Dentre estas, não é menor a in­suficiência do papel familiar de transmissão de valores, de formador da cidadania, de edificação de uma nova elite moral. A incompetên­cia da educação para incluir a vasta legião daqueles chamados "ex­cluídos" mas que, na verdade, nunca chegaram a ser incluídos na sociedade cidadã, é outro fator de imprescindível enfrentamento. Permeia a todas as análises a carência ética de uma sociedade cada vez mais egoísta, materialista e consumista. Despertá-la para uma responsabilidade individual, cidadã e social é o papel da ÉTICA neste terceiro milênio, que não parece corresponder às expectativas dos otimistas, mas reservar prenúncios nada animadores para a família humana. 

1.2 Conceito de Ética 

Ética é a ciência do comportamento moral dos homens em sociedade.[3] É uma ciência, pois tem objeto próprio, leis próprias e método próprio, na singela identificação do caráter científico de um determinado ramo do conhecimento.[4] O objeto da Ética é a moral. A moral é um dos aspectos do comportamento humano. A expressão moral deriva da palavra romana mores, com o sentido de costumes, conjunto de normas adquiridas pelo hábito reiterado de sua prática. 

Com exatidão maior, o objeto da ética é a moralidade positiva, ou seja, "o conjunto de regras de comportamento e formas de vida através das quais tende o homem a realizar o valor do bem".[5] A dis­tinção conceitual não elimina o uso corrente das duas expressões como intercambiáveis. A origem etimológica de Ética é o vocábulo grego "ethos", a significar "morada", "lugar onde se habita". Mas também quer dizer "modo de ser" ou "caráter". Esse "modo de ser" é a aquisição de características resultantes da nossa forma de vida. A reiteração de certos hábitos nos faz virtuosos ou viciados. Dessa for­ma, "o ethos é o caráter impresso na alma por hábito".[6] Como os hábitos se sucedem, tornam-se por sua vez fonte de novos hábitos. O caráter seria essa segunda natureza que os homens adquirem me­diante a reiteração de conduta. 

Sob essa vertente, "moral" e "ética" significam algo muito se­melhante. Por isso a aparente sinonímia das expressões "valor mo­ral" e "valor ético", "normas morais" e "normas éticas". Todavia, a conceituação de ética ora adotada autoriza distingui-Ia da moral, pese embora aparente identidade etimológica de significado. Ethos, em grego, e mos, em latim, querem dizer costume. Nesse sentido, a ética seria uma teoria dos costumes. Ou melhor, a ética é a ciência dos costumes. Já a moral não é ciência, senão objeto da ciência. Como ciência, a ética procura extrair dos fatos morais os princípios gerais a eles aplicáveis. "Enquanto conhecimento científico, a ética deve aspirar à racionalidade e objetividade mais completas e, ao mesmo tempo, deve proporcionar conhecimentos sistemáticos, metódicos e, no limite do possível, comprováveis. "[7]

Poder-se-ia mesmo indagar: "Por que, aliás, ética e não moral? 

Impõem-se aqui algumas definições, suficientemente abertas e fle­xíveis, para não congelar, desde o princípio, a análise. A etimologia não poderia nos guiar em nada nesta tarefa: ta êthé (em grego, os costumes) e mores (em latim, hábitos) possuem, com efeito, acepções muito próximas uma da outra: se o termo 'ética' é de origem grega e o moral, de origem latina, ambos remetem a conteúdos vizinhos, à idéia de costumes, de hábitos, de modos de agir determinados pelo USO".[8] A distinção mais compreensível entre ambas seria a de que ética reveste conteúdo mais teórico do que a moral. Pretende-se a ética mais direcionada a uma reflexão sobre os fundamentos do que a moral, de sentido mais pragmático. O que designaria a ética seria não ape­nas uma moral, conjunto de regras próprias de uma cultura, mas uma verdadeira "metamoral", uma doutrina situada além da moral. Daí a primazia da ética sobre a moral: a ética é desconstrutora e fundado­ra, enunciadora de princípios ou de fundamentos últimos. 

A ética é uma disciplina normativa, não por criar normas, mas por descobri-Ias e elucidá-Ias. Seu conteúdo mostra às pessoas os valores e princípios que devem nortear sua existência. A Ética apri­mora e desenvolve o sentido moral do comportamento e influencia a conduta humana.[9] Aliás, identificar as tarefas da Ética pode clarificar o seu conceito. Para Adela Cortina, "entre as tarefas da ética como filosofia moral são essenciais as que seguem: 1) elucidar em que consiste o moral, que não se identifica com os restantes saberes práticos (com o jurídico, o político ou o religioso), ainda esteja estreitamente conectado com eles; 2) tentar fundamentar o moral; ou seja, inquirir as razões para que haja moral ou denunciar que não as há. Distintos modelos filosóficos, valendo-se de métodos especí­ficos, oferecem respostas diversas, que vão desde afirmar a impossi­bilidade ou inclusive a indesejabilidade de fundamentar racionalmen­te o moral, até oferecer um fundamento; 3) tentar uma aplicação dos princípios éticos descobertos aos distintos âmbitos da vida cotidiana".[10]

Se a ética é a doutrina do valor do bem e da conduta humana que tem por objetivo realizar esse valor,[11] a nossa ciência "não é se­não uma das formas de atualização ou de experiência de valores ou, por outras palavras, um dos aspectos da Axiologia ou Teoria dos Valores”.[12] Assim, o complexo de normas éticas se alicerça em valo­res, normalmente designados valores do bom. Há conexão indisso­lúvel entre o dever e o valioso. Pois à pergunta o que devemos fazer? só se poderá responder depois de saber a resposta à indagação o que é valioso na vida?[13]

Toda norma pressupõe uma valoração e, ao apreciá-la, surge o conceito do bom - correspondente ao valioso - e do mau - no senti­do de desvalioso. E norma é regra de conduta que postula dever.[14] Todo juízo normativo é regra de conduta, mas nem toda regra de conduta é uma norma, pois algumas das regras de conduta têm cará­ter obrigatório, enquanto outras são facultativas. As regras a serem observadas para acessar a internet ou para viabilizar um programa de software, por exemplo, são de ordem prática e exprimem uma ne­cessidade condicionada.[15] Elas se incluem no conceito de regras técnicas, ou seja, preceitos que assinalam meios para a obtenção de finalidades. As regras técnicas contrapõem-se as normas, pre­ceitos cuja observância implica um dever para o destinatário. 

A noção de norma pode precisar-se com clareza se comparada com a de lei natural, lembra García Máynez. As leis naturais, ou leis físicas, são juízos enunciativos que assinalam relações constantes entre os fenômenos. Sob o enfoque da finalidade, as leis físicas têm fim explicativo e as normas têm fim prático. As normas não preten­dem explicar nada, mas provocar um comportamento. As leis físi­cas, ao contrário, referem-se à ordem da realidade e tratam de torná-la compreensível. O investigador da natureza não faz juízos de valor. Simplesmente se pergunta a que leis obedecem os fenômenos. Ao formulador de normas do comportamento não importa o proceder real da pessoa, senão a explicitação dos princípios a que sua ativida­de deve estar sujeita.[16]

A norma exprime um dever e se dirige a seres capazes de cum­pri-Ia ou de violá-la. Sustenta-a o suposto filosófico da liberdade. Se o indivíduo não pudesse deixar de fazer o que ela prescreve, não seria norma genuína, mas lei natural. De maneira análoga, careceria de sentido declarar que a distância mais curta entre dois pontos deve ser a linha reta, porque isso não é obrigatório, senão necessário e evidente. É da essência da norma a possibilidade de sua violação. 

Outra diferença pode ser apontada entre a norma e a lei natu­ral ou física. A lei física é suscetível de ser provada pelos fatos e a norma vale independentemente de sua violação ou observância. A ordem normativa é insuscetível de comprovação empírica. "As nor­mas não valem enquanto são eficazes, senão na medida em que expressam um dever ser."[17] Aquilo que deve ser pode não haver sido, não ser atualmente nem chegar a ser nunca, mas perdurará como algo obrigatório. 

Torna-se mais fácil compreender a distinção quando se acena com o ideal da paz perpétua ou da absoluta harmonia entre os ho­mens. É quase certo não se convertam nunca em realidade, mas a aspiração a atingi-Ias é plenamente justificável, pois tendente a con­cretizar algo valioso. Não há relação necessária entre validez e eficá­cia da norma. "A validez dos preceitos reitores da ação humana não está condicionada por sua eficácia, nem pode ser destruída pelo fato de que sejam infringidos. A norma que é violada segue sendo norma, e o imperativo que nos manda ser sinceros conserva sua obriga­toriedade apesar dos mendazes e dos hipócritas. Por isso se diz que as exceções à eficácia de uma norma não são exceções à sua validez."[18] Já as leis naturais, só se validam se a experiência as não desmente. 

A possibilidade de inobservância, infringência ou indiferença humana pelas normas não deve desalentar aqueles que acreditam na sua imprescindibilidade para conferir sentido à existência. O homem é um ser perfectível. Esse pressuposto adquire relevância extrema numa era em que as criaturas se comportam em desacordo com as normas. Pese embora a multiplicação de maus exemplos, a crença é a de que todo ser humano - por integrar a espécie - pode tornar-se cada dia melhor. E essa é sua vocação espontânea. A criatura tende naturalmente para o bem. O papel confiado aos cultores da ciência normativa é reforçar essa tendência, fazendo reduzir o nível de ino­bservância, infringência ou indiferença perante a ordem do dever ser. Ainda que o índice de espontâneo cumprimento dos ditames éticos não seja o ideal, há sempre possibilidade de sua otimização, mediante o compromisso íntimo de observá-los na vida individual. E o grupo tem de atuar no sentido de estimular a boa prática, no auxílio àquele que se afastou do trajeto, para reconduzi-lo à senda original. 

A potencialidade de conversão de um ser humano - aparente­mente vulnerável-, para comportar-se eticamente em seu universo, é uma hipótese significativa de trabalho. Ainda que aparentemente a prática possa demonstrar o contrário, a humanidade só avança se uma grande maioria se convencer de que o homem pode ser recupe­rado. A luta da parcela sensível da humanidade é ampliar esse espa­ço de trabalho comunitário e por diminuto possa parecer tal espaço, tantos e tão desalentadores os maus exemplos, o bom combate con­tinua válido. Sob esse prisma, se justifica o estudo, a pregação e a vivência ética. 

1.3 Moral absoluta ou relativa? 

Moral é expressão que todos conhecem. Adela Cortina subli­nha que "o moral, mais que a moral, posto se tratar de um fenômeno e não de uma doutrina - acompanha a vida dos homens e é captado pela reflexão filosófica em várias dimensões”.[19] Na filosofia do ser, a dimensão humana pode ser definida como dimensão moral; na filo­sofia da consciência, fala-se em consciência moral e aceita-se mesmo um tipo de linguagem que pode ser identificada como linguagem moral. Integram essa linguagem expressões de uso corrente, como justo, mentira, lealdade. É intuitiva a qualquer pessoa considerada normal, a compreensão do que se pretende dizer quando se pronun­cia a palavra moral. 

A intuição moral é tão presente na consciência humana que se pode sustentar carecer de sentido a expressão amoralismo. Ou seja, "pode haver homens imorais em relação a determinados códigos vigentes, mas não existem homens 'amorais', não existem homens para os quais careça de sentido a linguagem moral".[20] Todos têm uma determinada moral e a qualquer pessoa é importante manter preser­vado o seu moral. Para simplificar, moral é a formação do caráter individual. É aquilo que leva as pessoas a enfrentar a vida com um estado de ânimo capaz de enfrentar os revezes da existência. 

Mas tome-se à moral como objeto da ética. A moral como maté­ria-prima desta ciência do comportamento das pessoas em sociedade. 

Os preceitos éticos são imperativos. Para serem racionalmente aceitos pelos destinatários, precisam estes acreditar derivem de justi­ficativa consistente. A norma de conduta moral provém de um valor objetivo ou decorre de uma fixação arbitrária? Ela é norma válida para todos, em todos os tempos e lugares, ou sua validade é histori­camente condicionada? 

Existem ao menos duas posições antagônicas: uma absolutis­ta e apriorista e outra re1ativista e empirista. De acordo com esta, a norma ética tem vigência puramente convencional e é mutável. De acordo com a primeira, a validez é atemporal e absoluta. Uma outra diferença entre ambas: a corrente absolutista proclama o conheci­mento da norma ética a priori. A relativista acredita 'seja de ordem empírica. O empirismo advoga a existência de várias morais e, por­tanto, do subjetivismo. O absolutismo, em lugar disso, propõe a moral universal objetiva. 

Para o absolutista, cada ser humano - ao menos o humano con­siderado normal pelo senso comum, ou seja, poupado de qualquer estado patológico - é provido de certa bússola natural que o predis­põe a discernir, naturalmente, entre o que é certo ou errado. A figura do semáforo moral é elucidativa. Cada pessoa dotada de um míni­mo de consciência já se defrontou com esse fenômeno íntimo. Em oportunidades múltiplas da existência, a pessoa sabe que precisa se definir e optar. Sente-se e identifica-se um sinal verde a indicar pas­sagem livre, um sinal amarelo a determinar precaução e uma luz vermelha com o significado de vedação. Cada pessoa sabe que tanto pode observar como deixar de atender aos sinais. Basta atentar para a sua consciência estimativa, onde reside o seu sentido de valor. Por isso é que, entendendo-a como sensação, Hemingway conceituou moral de maneira bem compreensível, como aquilo "que nos faz sentir-nos bem depois e imoral aquilo que nos faz sentir-nos mal depois".[21]

Não se poderia falar do bom e do mau, da virtude e do vício, não houvesse um critério de estimação e uma instância - a consciên­cia humana - capaz de intuir o que vale. Sem essa noção, não há como prosseguir no estudo da ética. 

Já os relativistas entendem não haver sentido falar-se em valo­res à margem da subjetividade humana. Cada qual saberia estabele­cer a sua hierarquia valorativa, de acordo com as circunstâncias personalíssimas. O bom e o mau não significam algo que valha por si, mas são palavras cujo conteúdo é condicionado por referenciais de tempo e espaço. O bem é fruto de criação subjetiva e a norma moral é mero convencionalismo. 

O resultado dessa contraposição de idéias é que "a tese objeti­vista conduz, no terreno epistemológico, à conclusão de que não há criação nem transmutação de valores, senão descobrimento ou ig­norância dos mesmos. Os valores não se criam nem se transformam; se descobrem ou se ignoram. Uma das missões capitais da ética con­siste precisamente em afinar no homem o órgão moral que torna possível tal descobrimento".[22] Enquanto isso, a tese subjetivista postula autêntica criação de valores por vontade dos homens. Estes formulam, à medida do necessário ou do oportuno, a escala que lhes servirá de parâmetro na conduta inserta naquele momento histórico e de acordo com o estamento a que pertencerem, além de outros fato­res condicionantes da opção concreta em cada oportunidade. 

O desafio é perene e deve trazer ao menos certa angústia ao homem imerso numa sociedade em que o relativismo abrange di­mensões inesperadas. Uma das características da contemporaneida­de é conferir ao foro íntimo uma supervalia. Como se todas as escolhas se justificassem diante da irrestrita autonomia da vontade. À pessoa ética deveria corresponder uma conduta compatível com um núcleo comum de valores, consensualmente aceitos e com permanência na história da humanidade, em lugar da lassidão extrema dos achismos. A legitimar-se toda e qualquer ação, em nome da liberdade de esco­lha, corresponderá a deslegitimação da normatividade. Não apenas na esfera ética, mas na sua expressão jurídica. Seria a porta de retor­no ao caos e à barbárie. 

BIBLIOGRAFIA: 
NALINI, José Renato. Conceito de Ética. In: _________ . Ética Geral e Profissional. 5.ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006. Cap 1. P.23-33. 

[1] CHAIM PERELMAN, Ética e direito, 1996, p. 6. 
[2] No dia 15 de maio de 2006, rebeliões e atentados coordenados na Capital e em várias cidades do interior paulista demonstraram o poder de ar­ticulação da criminalidade e trouxeram pânico à população. As causas das ocorrências ainda merecem análises mas, de qualquer forma, foi manifes­ta a percepção de que não existe incolumidade inexpugnável e que o mal tem condições de semear o terror a qualquer momento, em todos os luga­res, e atingir, simultaneamente, incluídos e não incluídos. Os episódios não se circunscreveram a São Paulo, mas também foram deflagrados no Paraná e no Mato Grosso, dentre outros Estados. Mas os efeitos paulistas fo­ram catastróficos por manterem aprisionada, em seus refúgios domésticos, uma população cosmopolita de milhões de brasileiros. 
[3] ADOLFO SÁNCHEZ V ÁZQUEZ, Ética, p. 12. Para o autor, Ética seria a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. 
[4] Ciência, recorda MIGUEL REALE, é termo que "pode ser tomado em duas acepções fundamentais distintas: a) como 'todo conjunto de conhecimen­tos ordenados coerentemente segundo princípios'; b) como 'todo conjunto de conhecimentos dotados de certeza por se fundar em relações objeti­vas, confirmadas por métodos de verificação definida, suscetível de levar quantos os cultivam a conclusões ou resultados concordantes'" (Fíloso­fia do direito, p. 73, ao citar o Vocabulaire de Ia phílosophie, de LALANDE). 
[5] EDUARDO GARCÍA MÁYNEZ, Ética - Ética empírica. Ética de bens. Ética for­mal. Ética valorativa, p. 12. 
[6] ADELA CORTINA, Ética aplicada y democracia radical, p. 162. 
[7] ADOLFO SÁNCHEZ V ÁZQUEZ, op. cit., p. 13. 
[8] JACQUELINE Russ, Pensamento ético contemporâneo, p. 7-8. 
[9] NICOLAI HARTMANN, Ethik, 2. ed., Berlin, p. 34, apud EDUARDO GARCÍA MÁYNEZ, op. cit., p. 15. 
[10] Op. cit., p. 164. 
[11] MIGUEL REALE, Filosofia ... cit., p. 37. 
[12] Idem, ibidem. 
[13] "Todo dever ser está fundado sobre os valores; ao contrário, os valores não estão fundados, de nenhum modo, sobre o dever ser" (MAX SCHELER, Ética, trad. Hilario Rodríguez Sanz. Madrid: Revista de Occidente, 1941, p. 267, apud EDUARDO GARCÍA MÁYNEZ, Ética ... cir., p. 16). 
[14] Idem, p. 19. 
[15] R. LAUN, Rechtund Sittlichkeit, 2. ed., Hamburg: Verlag vou C. Boysen, 1927, apud EDUARDO GARCÍA MÁYNEZ, Ética ... cit., p. 20. 
[16] Idem, p. 21. 
[17] Idem, p. 22. 
[18] Idem, p. 23. 
[19] Op. Cit., p.178 
[20] ADELA CORTINA (op. cit., p. 178), a sustentar que amoralismo é um conceito vazio. Não há homens amorais porque todos compreendem a linguagem moral. Para quem pretende aprofundar-se no tema, consultar X. ZUBIRI, Sobre o homem, Madrid: Alianza, 1986. 
[21] Morte na tarde, citado por MAURÍCIO ANTONIO RIBEiRO LOPES, Ética e adminis­tração pública, p. 14. 
[22] EDUARDO GARCÍA MÁYNEZ, Ética ... cit., p. 26.