quarta-feira, 27 de junho de 2012

O ensino e a educação contextualizada

Maria Aparecida Barros

RESUMO: A abordagem sobre o ensino e a educação contextualizada  é uma questão complexa e importante para a sociedade. A influência exercida pelos educadores e familiares em relação à população estudantil tornam a tematização não somente um reflexo da realidade, mas também um modo de contribuir para o incentivo e crescimento contínuo da mesma. Os efeitos dos meios utilizados no ensino nem sempre propõe um resultado positivo em relação aos estudantes, mais precisamente aos adolescentes, que devem ser cuidadosamente dispensados atenção priorizada, tendo em vista os mesmos estarem caminhando à maturidade e este tipo de público está mais sujeito a influência provenientes de todos os meios de comunicações, inclusive por terem certas dificuldades em separar realidade e ficção. Apesar de estarmos no mundo globalizado, com muitas informações em todas as áreas, nem todos os estudantes têm acesso às novas tecnologias, por isso é necessário que tenhamos um conhecimento mais profundo e contextualizado do ensino, visando mais informações e aprendizado eficaz a todos, sem distinção quanto ao poder aquisitivo do público estudantil.
Palavras-chave: Educador; Estudante; Ensino; Incentivo; Conhecimento; Informação.

INTRODUÇÃO

A sociedade é um conjunto de pessoas que compartilham propósitos, preocupações e costumes, e que interagem entre si constituindo uma comunidade que ao longo dos anos, vão se adaptando umas às outras, adquirindo uma boa convivência em grupo e entre as relações pessoais e que preocupam, de forma geral, os seres humanos, pois estão constantemente presentes no cotidiano das pessoas.
Durante os anos, o adolescente vai crescendo culturalmente, vai aprendendo, no decorrer de sua vida, os modos de agir, de conviver com pessoas, de analisar os amigos e principalmente os pais e familiares. Segundo Samuel Pfromm Netto (1971):

A psicologia do desenvolvimento é uma das várias divisões da psicologia em que a ciência pura e a ciência aplicada se encontram e se relacionam de modo íntimo. O estudo do desenvolvimento humano e dos fatores que o determinam interessa não apenas aos cientistas, que se empenham em descobrir leis e princípios, como também aos pais, professores, médicos, assistentes sociais, sacerdotes, etc., com a responsabilidade de guiar o desenvolvimento das crianças e jovens pelas vias mais adequadas.

Para que os jovens, que estão cursando o ensino médio, produzam algo interessante, é necessário motivá-los, no caso da língua portuguesa, é necessário contar fatos interessantes, do dia-a-dia, tecer comentários sobre o que se passou no dia anterior, fazendo-os integrar-se ao mundo escolar e ao mundo que fica do lado de fora da escola, para que possam saber, num futuro próximo, dirigir suas vidas de maneira adequada e interessante.
A proposta deste artigo é tentar chamar atenção para o problema que acontece nas escolas, referente aos alunos que não se sentem motivados em algumas disciplinas, devido ao conteúdo ou método utilizado pelo professor, que  está sempre repetindo os mesmos ensinamentos, como no caso da disciplina de História do Brasil, que tem vários  conteúdos explicados na literatura brasileira e os alunos não conseguem se adaptar a esse contexto de informações interdisciplinares, porque não foram orientados a esse tipo de comportamento no ensino fundamental.
Edgar Morin (2002) defende o conhecimento contextualizado, que fica mais próximo da realidade dos alunos, fazendo-os se adaptarem ao ensinamento de todas as disciplinas, e no caso da língua portuguesa, se houver integração com a história e a filosofia, a gramática que foi transmitida durante o ensino fundamental será melhor absorvida pelos alunos e com isso podemos formar pessoas críticas, conhecedoras do passado, que faz parte da nossa história.

A INFLUÊNCIA DO CONHECIMENTO

Existe uma forte conexão entre o conhecimento e o ensino. O conhecer é o modo de adquirir informações sobre tudo o que quiser e puder compreender e ensino é transferir esse conhecimento de forma que o receptor consiga captar com clareza as informações transmitidas. O conhecimento fornece diversas formas de aprendizado e saber, entretanto a influência no público receptor das mensagens, junto às características do contexto social em que os processos se realizam, proporciona o exercício de um efeito diferenciado nas instituições de ensino. O ensino está sempre sujeito a variações, ora de forma antiquada, ora de forma moderna.
Tem-se percebido que alguns estabelecimentos de ensino dão mais importância a forma contextualizada de algumas disciplinas, com educadores mais conscientizados aos tipos de métodos que possam ser utilizados para um melhor aproveitamento do aprendizado dos alunos.
Segundo Edgar Morin (2002) o conhecimento está enfocado em todos os níveis de educação “dizem respeito aos sete buracos negros da educação, completamente ignorados, subestimados ou fragmentados nos programas educativos”.

OS MÉTODOS UTILIZADOS NAS INSTITUIÇÕES ESCOLARES

Por que as normas escolares fragmentam o ensino dando pouca atenção a formação do jovem? Por que alguns setores do ensino não utilizam normas mais adequadas a realidade dos tempos atuais? Por que temos educadores usando os métodos de ensinar a gramática como nas décadas passadas?
São questionamentos que surgem entre alguns educadores, principalmente na disciplina da língua portuguesa, preocupados com a forma de aprendizado dos alunos e como captam o conteúdo programático adotado pela escola. Ao examinar o texto de Edgar Morin (2002), constatamos que sua preocupação é em relação aos educadores e, conseqüentemente, os coordenadores escolares, que continuam cometendo os erros passados, sem se importarem com o conhecimento propriamente dito, com a contemporaneidade, ou seja, com os tempos atuais e adequados aos jovens, que não são mais aqueles da década de 70, 80 em que o aluno era obrigado a decorar, entre outras disciplinas, a tabuada ensinada na matemática, e os conceitos estabelecidos na gramática, mas sem saber como usá-los.
Falta dar importância ao conhecimento adquirido pelo ser humano, durante a sua formação, o seu dia-a-dia. Ao iniciar o ensino médio, o aluno não consegue se expressar de forma correta, escrever textos com coerência, usar a gramática, aprendida no ensino fundamental, nas elaborações de redações, entender o conteúdo de um texto, fazer uma boa leitura e gostar de ler.

A CONTEXTUALIZAÇÃO DO CONHECIMENTO

Ao longo dos anos, começamos a perceber movimentos, que vão se aprimorando até chegarmos à fala, depois à escrita e assim chegarmos à escola propriamente dita. Esse conhecimento é o saber de modo crescente, em que o ser humano apreende significados e significantes, conseguindo assim, dar formas aos modos de falar, de agir, de interagir com outros, escrever e ler textos.
Esse ser humano, já com esses conhecimentos da língua e da escrita, passa pelo ensino fundamental, onde são ensinados regras necessárias às construções de seus textos, formais ou informais, aos modos de falar, de conceituar termos gramaticais ou matemáticos, entretanto, a preocupação maior, enquanto aluno integrado ao meio, objetivando o seu futuro, uma faculdade, um emprego, uma formação técnica, é não encontrar formas de integrar as informações que lhes são apresentadas durante o ensino fundamental ao ensino médio. A falta da contextualização ou a integração entre as disciplinas, dificulta a preparação dos alunos para o futuro almejado.

FORMAR ALUNOS CRÍTICOS

No ensino médio, referindo-me a Língua Portuguesa, encontramos alunos com conhecimentos básicos em gramática, em literatura, mas ainda devem ser moldados para serem formados cidadãos e, além disso, o educador deve ensiná-lo a ser crítico, a ler um texto e saber formar o seu próprio julgamento daquilo que está lendo. Há alunos que têm muito a dizer, contudo se perdem nos conceitos, tais como, orações subordinadas, orações coordenadas, concordância verbal, nominal e verbo-nominal, e indagam como usar essas construções corretamente, inclusive em outras disciplinas, tais como geografia, história, filosofia.
Segundo Edgar Morin (2002), em seu texto intitulado O conhecimento pertinente, estabelece alguns critérios, no qual afirma que:

O segundo buraco negro é o que não ensinamos as condições de um conhecimento pertinente, isto é, de um conhecimento que não mutila o seu objeto. Nós seguimos, em primeiro lugar, um mundo formado pelo ensino disciplinar. É evidente que as disciplinas de toda ordem ajudaram o avanço do conhecimento e são insubstituíveis. O que existe entre as disciplinas é invisível e as conexões entre elas também são invisíveis. Mas isto não significa que seja necessário conhecer somente uma parte da realidade. É preciso ter uma visão capaz de situar o conjunto. É necessário dizer que não é a quantidade de informações, nem a sofisticação em Matemática que podem dar sozinhas um conhecimento pertinente, mas sim a capacidade de colocar o conhecimento no contexto.

Se o conhecimento, ao menos no Ensino Médio, não houver essa contextualização, estaremos formando seres incapazes de pensar e criticar, sem a intervenção de outras pessoas. Segundo Pascal ( apud Edgar Morin, 2002), já dizia no século XVII: “não se pode conhecer as partes sem conhecer o todo, nem conhecer o todo sem conhecer as partes”. O tema provoca grandes expectativas em relação aos educadores, aos coordenadores de ensino e esse assunto deve ser estudado e discutido globalmente, como uma cultura de paz, educação e informação.

REFLEXÃO SOBRE O ENSINO E A REALIDADE

A dificuldade no estudante é delimitar o real e a fantasia que proporciona uma confusão em seu imaginário, onde realidade e o que é visto nos meios de comunicação, mais precisamente na internet, ocupam um mesmo espaço, o que não deixa de ser um conhecimento, mas deve ser separado do que é realidade e o que é fantasia.
Há muitos “sites” que demonstram um modo de gerar no aluno um conhecimento real, mas há outros que criam uma expectativa de algo inexistente, ou seja, cria condições adversas daquelas que poderiam informar e proporcionar algo importante.
Estamos acostumados a ouvir e ver pelos meios de comunicação, que há “gangs” instigando os jovens a serem adeptos do Nazismo, ao racismo, etc. É próprio do adolescente imitar o que vê e a realidade que o cerca, portanto, nós educadores devemos cuidar para que essa realidade não coloque os jovens nesse contexto, sem que ele tenha tido a oportunidade de saber criticar e valorizar o seu conhecimento. Segundo Antônio Joaquim Severino 1985: pág.148, A tarefa do educador é fazer pensar, propiciar a reflexão crítica e coletiva em sala de aula. Ocorre que “O raciocínio (...) não se desencadeia quando não se estabelece devidamente um problema”.
Em algumas disciplinas não encontramos, por parte do educador, o fazer pensar nos alunos e consequentemente, sem estabelecer um problema, não haverá reflexão crítica em sala de aula.
Como dizia Paulo Freire (1986, pág.54), “Na verdade, nenhum pensador, como nenhum cientista, elaborou seu pensamento ou sistematizou seu saber científico sem ter sido problematizado ou desafiado”. Portanto, devemos refletir sobre esse assunto e nos adequar aos acontecimentos atuais em relação ao ensino e também as atitudes de alunos que demonstram frieza e desprezo ao aprendizado e, que talvez, provenha dessa falta de desafios.

CONCLUSÃO

O que se pode notar diante da colocação de alguns elementos é que o conteúdo transmitido aos alunos durante o ensino fundamental está correto, mas é necessário uma adequação da mensagem transmitida e o seu entendimento, enquanto faz uso da leitura e da escrita.
Os alunos necessitam de um aprendizado que lhes mostre a realidade em que vivem, fazendo-os pensar e refletir sobre assuntos de interesse geral, mas é preciso que os educadores, coordenadores e familiares desses alunos se integrem de forma que proporcione um certo “conforto” para que ele seja atentamente observado, a fim de que produza um efeito positivo sobre a conduta do adolescente em relação ao aprendizado.
Para que os jovens estudantes não sejam prejudicados por conceitos ultrapassados sobre o uso adequado do seu conhecimento e, conseqüentemente, a gramática aplicada no ensino fundamental,  que será usada dentro de contextos durante o ensino médio e em seu futuro, é preciso não apenas a instituição de uma classificação indicativa de novas formas ou métodos de ensinar, mas também uma profunda participação de professores. É necessário também que esses docentes gostem do que fazem, que sejam  profissionais e que procurem estar atentos aos ensinamentos novos, dos conteúdos que estão sendo transmitidos e as possíveis conseqüências sociais positivas que poderão advir desses ensinamentos. Para isso é necessário investir em cursos de sua área de atuação, se modernizar, enfim, ser também atuante, pois a educação contextualizada é fundamental para o ensino.

Referências Bibliográficas
FREIRE, Paulo. Extensão ou Comunicação, 4ª ed. RJ: Paz e Terra, 1986.
HOUAISS, Antônio, VILLAR, Mauro de S., FRANCO, Francisco M. M. Minidicionário Houaiss da língua portuguesa .2ª ed.. Rio de Janeiro:Objetiva, 2005.
LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1991.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. SP: Cortez,2002.
PFROMM NETTO, Samuel. Psicologia da adolescência, 2ª ed. São Paulo: Livraria Pioneira editora, 1971.
SEVERINO, Antonio J. Metodologia do Trabalho Científico, 12ª ed. SP: Cortez,1985.
VASCONCELLOS, Celso S. Construção do conhecimento em sala de aula, 3ª ed. São Paulo: Libert, 1995.

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